DESRESPEITO GERAL (EDITORIAL) - Viação Vitória "manda" e "desmanda" no transporte público; empresa desrespeita MPT, usuários e funcionários

A Viação Vitória, uma das duas empresas de ônibus urbanos de Vitória da Conquista, está promovendo um caos no transporte público do município, blindada pela falta de fiscalização no último meses. Dos 90 mil usuários diários, 40 mil são transportados pela Vitória.

Sem cumprir um acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para quitar salários atrasados e ticket alimentação dos seus funcionários, a empresa enfrenta até mesmo o sindicato dos rodoviários e já nem e preocupa com os anúncio de paralisação e ameaça de greve.

São obscuros os motivos que fazem a Viação Vitória promover desrespeito aos usuários, funcionários e, também, ao Sistema de Transporte Urbano. Conquista são jogadas no lixo e o medo de denunciar impera entre os seus rodoviários. O temor é de demissão sumária e longos meses de espera pelo pagamento da rescisão.

Assim como nos últimos dias, a cidade assiste, estarrecida, mais uma ameaça de paralisação. A mais recente - e inusitada - aconteceu dia 14. O sindicato recolheu os ônibus da Viação Vitória na tarde de quinta-feira e os levou para as proximidades da "Pedra", área de compra e venda de veículos usados que fica nos fundos do Ginásio de Esportes.

A empresa sequer se importou em ter seus veículos distante da garagem, que é onde deveriam permanecer. O sindicato sustentou que, sim, pode levar para o local onde escolheu. Desta vez, novo anúncio de paralisação, das 14 às 17 e das 19 às 21 horas, nesta segunda-feira (18), mantendo-se apenas - e por força de lei - o serviço essencial, com 30% da frota.

Em nota emitida pelo Sintravc, sindicato da categoria, o presidente da entidade ameaça a empresa. "Caso a empresa não atenda o prazo estabelecido, uma vez descumprido o acordo firmado unto ao MPT, o Sintravc apoiará greve a partir das 4 horas de terça-feira (19), por tempo indeterminado".

A bem da verdade, se o sindicato realmente desejasse mesmo ajudar a categoria, adotaria medidas para exigir políticas públicas para o transporte público, como combate sem trégua aos clandestinos, a exemplo de vans, automóveis e UBER

Deveria, neste mesmo ritmo, exigir da Prefeitura a liberação do seguro do contrato de concessão para pagar a categoria tão oprimida e órfã; a abertura de caducidade do contrato como forma de paralisar a dramática situação da Vitória e trazer outra empresa em regime emergencial, absorvendo 100% dos funcionários como a Cidade Verde fez com a Serrana. O que passar disto é FIRULA, ENGANAÇÃO.

O que intriga a população e, principalmente, os funcionários desassistidos, é que o acordo com o MPT deveria ter sido cumprido há mais de duas semanas. 

Vamos refrescar a memória do leitor:

Em reunião na sede do MPT, que contou com a presença do Sindicato dos Rodoviários e Prefeitura de Conquista, no final de maio, a empresa se comprometeu, em ata, a honrar o pagamento de 40% do adiantamento salarial dia 5 deste mês. Sequer deu satisfação aos funcionários.

O percentual, referente a maio, deveria ter sido quitado no último dia 20 do mês passado. Até então, nada feito. O mesmo aconteceu no último dia 7, quando, também em acordo no MPT, deveria ter sido efetuado o pagamento do ticket alimentação de maio, igualmente em atraso.

Ficou acordado que o restante dos 60% do salário referente a maio deveria ser pago também nessa quinta, considerando ser este o 5º dia útil subsequente ao mês do salário vencido. A empresa nem pagou, nem se manifestou sobre a quebra de acordo.

No acordo, a procuradora deixou claro que, em caso de descumprimento do acordo por parte da empresa, esta teria que pagar a título de multa uma cesta básica, no valor de R$120,00, a cada um dos trabalhadores prejudicados por item descumprido.

Em contrapartida, o sindicato dos rodoviários se comprometeu a não deflagrar e/ou apoiar paralisações ou greve em caso de a empresa cumprir com o que ficou acordado. Por enquanto não há novo indicativo de greve. É realmente de se estranhar!

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