Vídeo da Prefeitura diz que fiscaliza transporte público, mas clandestinos em ação desmentem peça publicitária

Jussara Novaes (Sudoeste Digital) - Um vídeo institucional produzido pela Prefeitura de Conquista e veiculado na TV tenta confundir a população e ludibriar o Ministério Público Estadual (MPE), ao afirmar que faz a fiscalização no transporte público e, por extensão, nos clandestinos.

O MPE recomendou a imediata apreensão dos clandestinos, estimados em mais de 600 veículos, entre vans e carros de passeio. Até o momento, nenhuma ação da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), nem do Simtrans, para alegria dos irregulares.

A reportagem do Sudoeste Digital foi às ruas, durante dois dias, e constatou o contrário, com o avanço dos clandestinos até mesmo nos itinerários dos ônibus, fortalecidos pela greve na Viação Vitória e fiscais de braços cruzados, sem qualquer indicativo de repressão.

Na lacuna deixada pela Vitória, em greve há dois dias, dezenas de pessoas ligadas aos clandestinos disputam espaço no Terminal da Lauro de Freitas, assediando passageiros e anunciando várias "linhas ilegais" à disposição, principalmente nas vans.

FALÊNCIA ANUNCIADA

A Viação Vitória atende, diariamente, 40 mil usuários. Com a greve, a legislação assegura 30% da frota em funcionamento (30 veículos), mas nem isso reduz os transtornos dos passageiros, forçados a esperar horas, num frio congelante e ainda encarar ônibus com lotação acima do permitido.

Com isso a reportagem apurou que a veiculação da peça institucional publicitária, um dia após a deflagração da greve na Viação Vitória, foi uma tentativa de mudar o foco para a real falta de fiscalização tanto nos clandestinos, quanto na empresa, que deve mais de R$30 milhões ao município, referente à outorga, além de R$500 mil em notificações, desde o ano passado

Soma-se a isso contra a Viação Vitória os salários atrasados aos mais de 500 rodoviários desde abril e descumprimento de acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT). O processo de falência "anunciada" está cada vez mais perto da realidade, dizem especialistas em transporte público urbano  VEJA REPORTAGEM RELACIONADA

Ao contrário da Prefeitura, que não se manifestou sobre a greve, o órgão federal já sinalizou que irá ajuizar, por meio da procuradora Manuella Gedeon, uma ação contra a empresa. Depois de quebrar um acordo para quitar os salários e tickets dos funcionários, em nova rodada de negociação a Vitória se recusou a celebrar novo compromisso.

"Conquista não merece tanto descaso com seus cidadãos. temos nossos compromissos e somos obrigados a esperar uma, duas horas por um ônibus que uma empresa que nem deveria estar mais atendendo", reclamou a vendedora Miriam Arlete Dias, 19 anos.

Os comerciantes também protestam. A greve, em pleno ritmo de festas juninas, não estava nos planos deles. "A crise cada vez maior, tivemos protestos de caminhoneiros que nos deixaram prejuízos e essa greve no transporte para piorar tudo. A cidade parece estar sem governo, sem comando. Onde vamos parar com tudo isso?", desabafa Djalma Fernandes, 35. Aguardamos posicionamento da Prefeitura e demais citados.

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