ARTIGO | Nossa Luta não termina nunca (Padre Carlos)*

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Muita gente do campo da esquerda acredita que com o fim das eleições e confirmada à vitória de Haddad nas urnas, estaremos derrotando definitivamente as forças fascistas no Brasil.
Isto não é verdade, esta parcela do eleitorado brasileiro que votou neste projeto, cresceu assustadoramente e tem hoje um grande capital político acumulado, não representa mais só um quinto dos votos que sempre obtiveram no cenário brasileiro.

Desta forma, não podemos cometer o erro de menosprezar esta besta, ela acumulou força suficiente para tentar virar o jogo e transformar este país em uma praça de guerra.

Se isto se concretizar, presenciaremos de forma imediata o reagrupamento de toda a direita, seja ela de centro, liberal ou utar-direita, com dois objetivos: o primeiro seria eleito, para adotar uma agenda neoliberal e o segundo, seria um compromisso explicito de total abandono de Lula e dos crimes cometidos contra a constituição, pelo judiciário.

Se em 2016 ficamos chocados com a participação de setores do judiciário, no golpe que destituiu a presidente Dilma, agora iremos presenciar a chegada de um novo agrupamento político, o partido verde, isto é, “verde oliva”.

A crise na área da segurança pública, os casos de corrupção e o descrédito nos nomes tradicionais da política era de se esperar que militar fosse o perfil da vez para muitos eleitores. Esta forma de participação não fere a constituição nem o estado de direito, o grande problema é quando alguns oficiais esquecem que as Forças Armadas “são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.

Como estamos presenciando neste segundo turno das eleições. A falta de respeito pelas instituições principalmente o Supremo Tribunal, faz pensar que armados, esta força desequilibra a balança da justiça e do direito.

Não vamos ser ingênuos a tal ponto de achar que o grande capital financeiro deste país, está aceitando de bom grado que o Partido dos Trabalhadores, retorne ao poder no Brasil. Foi para manter o PT fora do jogo político, que este setor, manteve Lula preso até hoje.

É por isto, que a nossa luta política não termina, ela adquire um novo patamar. Como diz Lula: “Nossa luta é incansável e não termina nunca.” Temos que mobilizar o país com o objetivo de defender nosso programa de governo e garantir a normalidade politica e constitucional. Sem a mobilização nacional e a vigilância das forças democráticas deste país, não conseguiremos governar nem impor a nossa agenda.

Precisamos vencer esta eleição, precisamos vencer o medo que o adversário representa, ao contrario do nosso oponente, nossa luta não é para matar ninguém – é para salva vidas.

(Padre Carlos Roberto Pereira, de Vitória da Conquista, Bahia, escreve semanalmente para esta coluna)

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