ARTIGO | O fascismo está voltando? (Padre Carlos)*

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Uma das coisas que tem chamado minha atenção nos últimos meses é o crescimento súbito da extrema-direita em toda a Europa. Como militante e educador com formação filosófica, não poderia deixar de abordar e partilhar este assunto.
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A onda que assola quase toda a Europa me surpreendeu e acredito que deixou os cientistas políticos numa situação um pouco incômoda, para explicar este crescimento da direita, considerando que os espectros da 2ª Guerra Mundial e do totalitarismo ainda estão frescos na memória histórica de praticamente todas as sociedades europeias.

Podemos perceber que está crescendo na Europa um forte sentimento contra os imigrantes e, especialmente, uma enorme desconfiança em relação aos muçulmanos.

Os partidos que difundem ideias xenófobas, anti-imigração e anti-islamitas estão se fortalecendo e exportando para fora dos seus terrenos tradicionais a França, Itália e Áustria e conquistando países tradicionalmente mais liberais como a Holanda ou a Escandinávia, chegando agora significativas representações parlamentares nesses países. 

O medo bem como o fator sombra tem sido a grande ferramenta política neste fenômeno de crescimento. Estes elementos, embora seja abordagem psicológica, é de extrema importância para o cientista político, entender tal fenômeno.

Depois de anos de crise econômica, aumento do desemprego e crescimento da pobreza, muitos europeus têm questionado sobre a integração cada vez mais estreita da EU e esperam com o resultado da eleição uma mudança de paradigma, isto é, um verdadeiro milagre.

A presença de imigrantes em proporções importantes, nos grades países industriais, suscita- quando o desemprego torna-se endêmicas – reações de intolerância e ódio bem próximas da fobia. Turcos na Alemanha, indonésios nos Países Baixos, indianos e paquistaneses na Grã-Bretanha, argelianos na França: o ódio pelo outro não tem escrúpulo. Desde já, as reações xenófobas na Alemanha atingiram um grau de violência que podem ser comparadas aos pogroms antissemitas das piores épocas. Não sabemos como enfrentar o vento de ódio e irracionalismo que se levantou.

N.R.: O termo pogrom tem múltiplos significados, mais frequentemente atribuída à perseguição deliberada de um grupo étnico ou religioso, aprovado ou tolerado pelas autoridades locais, sendo um ataque violento maciço a pessoas, com a destruição simultânea do seu ambiente.

Segundo Jung, quando projetamos nosso próprio lado sombra sobre outra pessoa, tornamo-nos incapazes de vê-las como seres humanos comuns com características boas e más. Hitler compreendia tudo isso por instinto. E, por essa razão, incentivou a projeção de todo mal, de tudo que fosse mesquinho e não heroico, sobre os judeus, que ele representou como a incorporação de tudo o que era instável e não alemão.

Como podemos perceber, este é o discurso da extrema-direita. Jean Marine Le Pen alcançou 25% dos votos dos franceses com uma plataforma política tendo como solução para o fim da imigração a aplicação do vírus africano Ebola.

Se não fizermos nada e se, passado o sinal de alerta, voltarmos às nossas pequenas questões, então seremos todos vencidos.

Sim, se não fizermos nada, a extrema-direita ampliar-se-á, o ódio sairá vencedor, o fascismo renascerá. A palavra de Martin Luther King ecoa sobre os meus ouvidos, ¨o que me preocupa não é o grito dos maus, mas sim o silêncio dos bons¨.



(Padre Carlos Roberto Pereira, de Vitória da Conquista, Bahia, escreve semanalmente para esta coluna)

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