INVESTIGAÇÃO (PARTE 1) | Tráfico ordenou ataque a ônibus em retaliação às apreensões de vans


Os mesmos bandidos que atearam fogo em uma kombi e em uma van, na zona Oeste de Conquista, em agosto deste ano (RELEMBRE AQUI) também podem estar ligados ao incêndio criminosos que destruiu um ônibus da Viação Cidade Verde, na noite desse sábado, 10. O motivo não foi a perda de linha do transporte, mas sim o golpe no tráfico (depois de sucessivas apreensões de vans) que utiliza alguns clandestinos para transporte de drogas e armas.



As investigações policiais estão avançadas e contam com ajuda de testemunhas de e de câmeras de vigilância, mas a reportagem do Sudoeste Digital/TV Conquista se antecipou e reuniu elementos que aproximam os incendiários a milicianos e traficantes infiltrados entre vanzeiros que exploram o transporte clandestino de passageiros.

O veículo foi incendiado por três homens. Dois deles estavam infiltrados entre os passageiros e mandaram todos descerem do ônibus antes de atear fogo.

O crime foi entendido pelas autoridades policiais como um "recado subliminar" às autoridades envolvidas nas apreensões de veículos de transporte clandestino de pasageiros.

De acordo com uma fonte, que atuava como "avião" para o tráfico de drogas - e que hoje se diz regenerado, trabalhando como auxiliar em uma microempresa, o temor de muitos vanzeiros não se prende apenas ao fato de perder "linhas rentáveis", adquiridas por até R$40 mil.



ÔNIBUS EM CHAMAS | Bem público incendiado em Conquista; ataque criminoso está sendo investigado

"Muitas vans levam drogas e armas, porque é mais seguro que mototaxi, porque dificilmente a polícia para o carro. Quer dizer, parava, né, porque agora tá isso aí (apreensões). Agora que o 'bicho pegou' (sic), bateu desespero", sustenta a fonte, que só resolveu falar sob a condição de anonimato e sem gravação, apenas tendo o relato anotado.

A guerra sem fim, que resulta mortes violentas diariamente, deixa reféns centenas de moradores em Vitória da Conquista. As disputas são entre membros das facções TD2 e TD3; Bonde do Nem Bomba e Bonde do Neguinho, além da K2, do traficante Kiko.

De acordo com fontes de conjuntos habitacionais, além da comprovada atuação de traficantes no transporte clandestino em vans e veículos de passeio, os bandidos também "sugerem" aos moradores adquirirem gás de cozinha em locais indicados por eles.(RELEMBRE AQUI)

"Muitos desses 'pivetes (sic) que caíram (morreram) eram cobradores de vans, mas também tinha presença vendendo pinos (de cocaína)". O rapaz conta como acontece o "batismo" nos novos integrantes das facções. "O cabeça (chefe) quer que você seja disciplina (fiel), de responsa Cumpridor de ordem). Ele entrega um oitão (revólver, calibre 38) e manda você fazer a cobrança (matar)".


Quando indagado, na noite desse domingo, 11, sobre a ligação desses "aviões do tráfico" com os incêndios de agosto e,agora, num ônibus, a fonte garante que "somente quem não quiser ver acha que não que é coisa dos vanzeiros que atuam nas linhas que "rolam mais dinheiro".

Segundo a fonte, se a polícia for apurar a fundo, vai descobrir que a ordem partiu de dentro de uma cela. "Gente que está presa, mas que manda os pivetes tocar terror aqui fora". Os pivetes tem que fazer o corre (cumprir a ordem), senão sobra pra eles. Foi isso que aconteceu, meu irmão".

Perguntado se existe a participação de alguma facção, a fonte titubeia, mas deixa no ar que "as facções disputam até itinerários dentro de alguns conjuntos habitacionais, loteamentos e em alguns  bairros, como no Miro Cairo e adjacências, Urbis VI, Morada Real e Campinhos. "Tudo dois, Nem Bomba e Neguinho não perdem tempo" (risos).

Mesmo com ação do Simtrans e PM, vanzeiros 
continuam desobedecendo o Ministério Público
Van que fazia a linha Campinhos/Centro invade faixa contínua para chegar ao ponto antes que o ônibus: infração ao CTB
Imagem: Redes sociais
O coronel PM Ivanildo Silva, comandante do CPR/Sudoeste, garantiu que não irá recuar nas operações de apreensões dos clandestinos, estimados em mais de 600 veículos entre vans e carros de passeio. Segundo ele, a polícia empregará o efetivo necessário para o cumprimento da lei, após recomendação da promotora Lucimeire Carvalho, para que a Prefeitura fiscalizasse e efetivasse o recolhimento dos carros para cessar esse tipo de transporte.  Em meio a protestos, incluindo visita ao gabinete do prefeito Herzem Gusmão (MDB), alguns vanzeiros alegaram perseguição e partiram para ameaças a agentes do Sistema Municipal de Trânsito (Simtrans). Uma queixa foi registrada no Distrito Integrado de Segurança Pública (Disep).Em nota à imprensa, a Prefeitura de Vitória da Conquista reitera que "não concorda que qualquer tipo de ameaça seja feita a qualquer servidor público municipal. Os agentes do Simtrans estão no cumprimento do seu dever, acatando uma orientação do Ministério Público da Bahia (MP-BA)".Ainda segundo a nota, "a município entende que toda a manifestação é legítima, desde que ocorra de forma pacífica. A Prefeitura está de portas abertas para o diálogo, mas não pode tolerar que servidores sejam ameaçados".O prefeito, por sua vez, disparou: “Não aceito que nenhum servidor seja agredido no cumprimento do seu dever. O Nosso Governo vai reagir, e os agressores serão banidos de oportunidades de participar do processo licitatório do transporte alternativo. Responderão ainda  a processos que serão acompanhados pela Procuradoria Geral do Município. Não vou tolerar desobediência civil, desordem e agressões".A Prefeitura garante que "os agressores identificados na operação da semana passada, que ameaçaram os agentes do Simtrans, serão já relacionados, e não poderão participar do processo licitatório  em curso, que está suspenso – até que o Estudo de Viabilidade  seja apresentado ao Ministério Público. Os seus nomes (vanzeiros) serão encaminhados a PGM – Procuradoria Geral do Município e serão denunciados criminalmente à Justiça".O QUE FOI PUBLICADO SOBRE O ASSUNTO NAS ÚLTIMAS HORASEDITORIAL | Vanzeiro dramatiza nas redes sociaisAPREENSÃO | Prefeito e secretários voltam a receber vanzeiros para diálogoEDITORIAL | Desafios à margem da lei: decisão judicial não se discute

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