EDITORIAL | Sistema de Transporte Público é caso de Policia Federal e MPF, dispara vereador Cori


Caiu com uma bomba a entrevista de quase uma hora do vereador, Professor Cori, ao radialista Jônatas Vieira, o "Loroza", no Programa Geral da Noite, na 87,9 FM, nessa quarta-feira, 13.

Munido de farta documentação, o parlamentar chamou a atenção para o desmonte do sistema de transporte público, que em meio ao caos patrocinado pela falta de fiscalização e de postura da Prefeitura, assiste o avanço dos clandestinos nos quatro cantos da cidade.

CLANDESTINOS

Cori disse que o transporte público de passageiros em Conquista tem preocupado no atual formato de gestão, assim como em todo o País, cujo sistema tem sofrido impacto em sua logística por conta dos diversos modais que tem sido implementados, como aplicativos e vans - na maioria dos municípios do Brasil - de forma irregular e clandestina, precarizando a segurança e a qualidade do serviço ofertado e, principalmente, a condição dos trabalhadores rodoviários.

O ser provocado por Loroza sobre a postura do presidente do Sintravc (Sindicato dos Rodoviários), Álvaro Souza, que "ao invés de se envolver com a categoria rodoviária" saiu em defesa das vans clandestinas, em recente entrevista a uma emissora de rádio, o vereador foi taxativo.

"Se a gente não conseguir uma solução imediata para o transporte público, envolvendo os poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, nós vamos ter que fazer uma intervenção com a Polícia Federal e com o Ministério Público Federal (MPF)" - vereador Cori

"Percebemos que a forma como está sendo conduzido realmente é muito grave, muito grave. Não consigo conceber um sindicato que não defenda a população de Conquista, especialmente os seus funcionários. Senti muita falta de o sindicato poder ter tratado o assunto com mais seriedade. 

"Em alguns momentos parecia que o sindicato fazia uma defesa de forma muito viciada em relação à Viação Vitória e atacava de forma equivocada, pra não dizer deliberada, a Cidade Verde. Ou seja, tinha a Viação Vitória que não recolhia FGTS, nem Previdência, não pagava em dia, nem indenização".

"O papel do sindicato é o que? defender o trabalhador, mas você via o sindicato na direção contrária. A Viação Vitória negligenciando os direitos, a Viação Cidade Verde honrando os direitos trabalhistas e sendo atacada pelo sindicato. Alguma coisa está errada nesse processo.

"O que não pode é a gente fechar os olhos para o que está aí fora. E o que está aí fora é muito ruim. Eu acho que tem muitos interesses em jogo. Talvez vá se chegar um momento que realmente as medidas podem ser no campo criminal, mas eu penso que algo muito estranho existe. Não é à toa,. Não se faz nada à toa nesse País".

"O nosso mandato tem a responsabilidade de promover, além da fiscalização, o assessoramento ao Poder Público, orientando de forma pertinente o que deve ser observado para que medidas sejam reorientadas no governo do ponto de vista da gestão, do financiamento e do investimento", destacou.

Inicialmente ele abordou os diversos problemas detectados que culminaram com a falência da Viação Vitória.Além do descumprimento de obrigações trabalhistas e contratuais, dispostas no edital de licitação, ele credita a falência à liberação das vans sem regulamentação.

"Num primeiro momento havia a discussão de se regulamentar 80, depois as discussões foram se ampliando e chegaram a 150. Quando se abriu os olhos já havia mais de 300, 400, 500 vans com placas de todos os lugares, sem nenhuma segurança para passageiro e tão pouco pra quem trabalha ali; sem alvará de liberação para o transporte. Então dessa forma o sistema caminhava para a falência".

De acordo com Cori, a fuga para o sistema irregular é muito grande. "Não temos parâmetros de controle. O que a gente vê são carros velhos circulando", enfatizou, observando que, se o então prefeito eleito, Herzem Gusmão, fosse cumprir a promessa de regulamentar as vans, que estabelecesse com base em estudos técnicos".

Cori também falou sobre a fuga de passageiros, que caiu de 1.713 (um milhão, setecentos e treze) para 1.211 (um milhão, duzentos e doze). "Se eu devolver esses passageiros, só combatendo a clandestinidade e regulamentar, a tarifa cai. Se eu devolver, em média 400, 500 mil passageiros, a tarifa cai para R$3,30". Atualmente a tarifa é de R$3,80.

"Será R$0,50 a menos. Então, você empresário, que compra 100 mil vales-transporte por mês daria R$50 mil de economia mensal para a sua empresa", destacou. "E o benefício seria para todos: empresário, comerciante. E o passageiro, que faz quatro viagens por dia? Passa a comprar mais pão, mais leite, mais biscoito. O comércio ganha."

Sobre o contrato emergencial, o vereador lembrou que era de apenas seis meses, mas que já venceu. "Nem sei se ela pode ser assinada, porque nem foi. Se esses números (sobre a queda) se confirmarem, e deve chegar a 1.100 e estou fazendo comparativo entre dezembro, janeiro e fevereiro, a empresa (Viação Cidade Verde) pode até devolver o lote emergencial (que era o da Viação Vitória)", continuou.

O vereador deixa no ar algumas perguntas: "De quem será a responsabilidade de todos os funcionários desempregados? De quem será a responsabilidade sobre as pessoas que estarão em seus direitos garantidos da gratuidade? Estudantes de meia-passagem, idosos, profissionais da segurança, Correios? Não se pode mais brincar com isso".

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