ARTIGO || A dor da perda (Padre Carlos)*

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Quando ouvimos que alguém está de luto, muitas vezes não entendemos direito o que quer dizer, bem como o estado emocional que esta pessoa esta vivenciando. Quando falamos de luto, estamos nos referindo a esse processo natural e universal diante de uma perda.
Perdas muitas vezes suportadas através de medicamentos e silenciadas por frases feitas de pessoas cheias de boas intenções: “sei o que isso é” (não sabe só eu sei o que estou sentindo!); “tenha força!” (não tenho, a dor é intensa e é muito grande para suportar!); “pensa noutra coisa” (não penso, só a lembrança de minha perda me consola!); “tem que andar pra frente” (não consigo, não vejo perspectiva sem conviver com minha perda!); “está no céu” (mas eu estou aqui e vivo, sofrendo!).

Sim, precisamos viver o nosso luto, conhecer nossas feridas e saber que só com o remédio do tempo ela poderão se fechar e não é da noite para o dia que isto vai acontecer.

Estas lesões na alma podem ser causadas por: pelos que morrem e eu sei que jamais verei nesta vida; luto pelos que, continuando vivos e sei que não represento mais nada na vida desta pessoa, embora os meus sentimentos permaneçam os mesmo e ela partiu da nossa vida.

Lutos antes do tempo da partida; lutos prolongados e lutos bem ritmados; lutos que viram doenças e lutos que geram oportunidades; lutos que põem em causa a fé e lutos que redobram a confiança em Deus; lutos pela pátria que deixamos e luto pela saúde que perdemos; luto pelo divórcio ou luto por um filho perdido; luto pela traição, pela falta de emprego e de sentido; luto pela imagem perdida ou pelo animal de estimação que morreu; luto pela fé que sentimos ter perdido. No fundo, há sempre um luto que mora dentro de nós. E perder é verbo de difícil conjugação.

A palavra “luto” vem de lugere, que quer dizer “chorar”, e expressa a dor natural pela perda de algo ou de alguém. É a consequência da perda de um vínculo. Manifesta-se em sinais de sofrimento (físico, psíquico, social, espiritual), em comportamentos (vestir...) e, frequentemente, em rituais (ida ao cemitério...).

É um processo lento, assim como a cicatrização de uma ferida, só que esta é na alma, que passa por diferentes fases, muitas vezes fases que vão e voltam. Quando a sua decisão for adaptar, e integrar a perda, isto levará à possibilidade de uma nova vida, de novos projetos, de uma vida reconfigurada.

Outras vezes, se a perda não é assumida, conduz a doenças físicas, psíquicas, espirituais... Não é garantido que quem cala consente.

É praticamente impossível sobreviver a uma situação de sofrimento se não formos capazes de conseguir contar uma história articulada sobre a mesma, pelo menos a nós próprios.

Uma das pastorais que eu sinto falta na Igreja, é com certeza a que se preocuparia em proporcionar um lugar para quem está em luto, isto é, um centro de escuta e acompanhamento espiritual. Um lugar  de encontro, de escuta, de fraternidade, de oração, de misericórdia, de perfume e de esperança cristã... no caminho de Emaús!

Se você está em luto, se conhece alguém em luto, seja esperança para esta pessoa e não se esqueça que o luto pode ser uma ação missionária, ele é também, “terra de missão”.


SOBRE O AUTOR E SEU CONTEÚDO

* (Padre Carlos Roberto Pereira, de Vitória da Conquista, Bahia, escreve semanalmente para esta coluna)

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