ARTIGO | O PT e a reforma da Previdência (Padre Carlos)*

Depois de o PT ser derrotado no segundo turno por Jair Bolsonaro, havia a expectativa de que o partido com suas lideranças conseguiriam se organizar politicamente para contrapor solidamente ao novo governo.
É normal que forças políticas enfrentem dificuldades depois de uma mudança tão expressiva no cenário das casas como aconteceu com a vitória de extrema direita. O PT não está sozinho nesse barco, os partidos de oposição e até alguns da situação também enfrentam o mesmo problema. 

Acostumado a polarizar com uma direita mais politizada e com um projeto menos autoritário, as forças de esquerda passaram a ter dificuldades em entender este momento político. Mas, seis meses depois da posse presidencial, o que se viu no plenário, foi um conjunto de parlamentares sem um projeto e sem capacidade de negociar e apresentar uma proposta alternativa aos projetos do governo.

Não é de se admirar que os principais problemas enfrentados por Bolsonaro sejam causados pelo próprio presidente ou por integrantes de sua própria equipe ou por grupos políticos próximos do seu campo ideológico, como é o caso dos integrantes do Centrão.
    
Pelo tamanho das nossas bancadas, esperávamos que liderássemos o processo da oposição dentro do Congresso e, por mais que reconheçamos os valores individuas dos nossos quadros que se encontram naquela casa, não existe uma liderança capaz de agregar seus pares em torno de um projeto de ação. 

O partido tem que entender que nossos problemas transcende as masmorras de Curitiba e apesar dos nossos esforços na campanha pela libertação do ex-presidente Lula, temos responsabilidades como oposição a um governo conservador. 

Não basta gritar é preciso ter projetos alternativos para as matérias que são votadas na Câmara e no Senado. Confesso aos senhores, que o PT como o grande articulador das oposições, tem passado longe de incomodar o governo e perdeu uma grande oportunidade de apresentar uma proposta alternativa de reforma da Previdência.

O PDT de Ciro Gomes, e o PSB ainda se organizaram para discutir o tema e tentar apresentar alternativas, esta era a verdadeira oportunidade que tínhamos de demostrar nossa capacidade de liderar o processo e provar porque somos a grande força hegemônica da esquerda brasileira, mas não incentivamos e pior, os deixamos desembarcarem da iniciativa.

Passamos junto com o PSOL e PCdoB a assumir uma posição refratária à discussão. Assim, sem uma proposta alternativa e enfrentando resistência nos debate por setores corporativos contrários às mudanças, como é o caso de policiais, professores e servidores, ficamos mais expostos. Os partidos do Centrão vinham verbalizados com muita mais veemência suas queixas contra as propostas e não tivemos competência de trabalhar uma proposta alternativa.
  
Até governadores e prefeitos tiveram uma participação mais efetiva e disposição de negociar do que os próprios congressistas. 

Assim, temos que sair desta inercia e vislumbrar um projeto alternativo que nos qualifique como oposição para que nas próximas eleições estejamos afinados com os desejos do eleitor, sejam as municipais no ano que vem, ou as estaduais e nacionais de 2022.

Não estamos aqui querendo que o PT abandone a luta pela libertação do nosso maior ator político. Mas devemos estar preocupado em tentar construir algum projeto de poder capaz de responder ao atual governo. Por enquanto, foram só seis meses, não vamos dormir os quatro anos.

SOBRE O AUTOR E O CONTEÚDO POSTADO

* (Padre Carlos Roberto Pereira, de Vitória da Conquista, Bahia, escreve semanalmente para esta coluna)

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