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EXCLUSIVO | Fazendeiro morto em Itapetinga tinha histórico de violência contra cunhada



Uma reviravolta no caso do pecuarista Júlio César Correia de Almeida, conhecido como Téo, 50 anos, encontrado morto em Potiraguá, após ter desaparecido em Itapetinga, pode beneficiar a cunhada dele, Janes Meres Nascimento, 59 (imagem acima), em prisão temporária, acusada de "possivelmente" (segundo a polícia) envolvimento no caso.

O habeas corpus, com pedido de revogação da prisão, está em apreciação no Tribunal de Justiça, conforme apurou a reportagem do Sudoeste Digital. Foi confirmado que a própria polícia tem dúvidas em relação à Janes, conforme informado à imprensa por ocasião das prisões temporárias.

Os parentes de Janes criticam a Vara Crime e a polícia, alegando que "eles foram rápidos em pedir a prisão dela, o juiz foi rápido em decretar a prisão temporária, mas uma medida protetiva requerida por ela nunca foi apreciada. O delegado na época, em vez de fazer um inquérito, fez um termo circunstanciado".

A tese de que o crime teria relação com herança também é rechaçada pela família e amigos da acusada, visto que, segundo eles, além de Téo não figurar como herdeiro, Janes era favorável à partilha e tirava o seu sustento da venda de doces pelas ruas da cidade, sem interferir diretamente no processo em andamento.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos acusados, mas a expectativa na cidade é a de que Janes seja colocada em liberdade nas próximas horas, já que há testemunhos de pessoas próximas, amigos e familiares e até denúncias dela contra o cunhado - casado com sua irmã - por ameaças de morte e de agressões físicas.

O corpo do pecuarista, que estava desaparecido desde o dia 27 de maio deste ano, na zona rural de Itapetinga, foi localizado em Potiraguá três dias depois. Ele foi morto a tiros.

No último dia 5, três meses após o ocorrido, policiais civis deram cumprimento a mandados de prisões temporárias expedidos pela Justiça Criminal em desfavor da cunhada da vítima, Janes Meres Nascimento, 59 anos; sua filha Alana Nascimento Oliveira, 38 e o esposo dessa, Elvis Santos Campos, vulgo “Buga”, 36. Todos negam participação no crime.

Documentos judiciais obtidos pelo Sudoeste Digital, cuja autenticidade foi comprovada, relatam que a mulher acionou a polícia civil em 20 de julho de 2016, sendo recebida pelo delegado de polícia civil. 



Janes Meres relatou ao policial ter sido agredida verbalmente e fisicamente por Téo quando ela, em companhia de sua irmã, Gilmara Moreira Lima e de Maria Vieira Lima Moreira,  mãe dela, viúva e inventariante do seu pai, Rosalvo Rodrigues Moreira, falecido em 2012, chegaram á Fazenda Camponesa, na região do Rio Pardo, para contagem do gado do espólio, em companhia dos vaqueiros.

Conforme o relato constante no Termo de Declarações, Téo chegou, acompanhado do filho dele, Mateus Almeida, proferindo xingamentos. Em seguida, partiu para agredir a sua irmã, Gilmara. "A declarante atravessou em sua frente, instante em que Júlio César (Téo) agrediu com socos", reporta o escrivão, Hamilton de Jesus Costa.

Janes continuou sendo agredida, sendo atingida no braço direito, ficando com escoriações e hematomas. Téo, então, teria ido em direção ao carro dele, fazendo ameaças de apanhar uma arma para atirar em Janes, mas foi contido pelo filho. "Pai, você vai se complicar", teria gritado o rapaz, impedindo-o de abrir a porta do carro.

O Termo Circunstanciado de Ocorrência, sob nº161/2016, foi aceito pelo Ministério Público estadual, que ofereceu denúncia contra Téo. O caso foi parar nas mãos do juiz Luiz Sérgio dos Santos Vieira, resultando no processo crime de nº: 0300579-74.2017.8.05.0126 de Lei Maria da Penha contra Téo, denunciado por ter agredido fisicamente e ameaçado  Janes Meres Nascimento.

"Naquele dia, 20 de julho do ano 2016, na porteira da fazenda Camponesa, às margens do Rio Pardo, quando Jane, juntamente como sua mãe dona Maria, viúva de seu Rosalvo e herdeira Gilmara iam contar o gado da fazendo pertencente a seu Rosalvo. Naquela ocasião Nego Téo impediu a entrada das herdeiras e da viúva a socos e ameaças de morte, conforme denúncia do Ministério  Público", resume o documento.

RELEMBRE O CASO

O corpo do pecuarista, que estava desaparecido desde o dia 27 de maio deste ano, na zona rural de Itapetinga, foi localizado em Potiraguá três dias depois.

As investigações foram conduzidas pelo coordenador da Polícia Civil de Itapetinga, delegado Roberto Júnior. A família chegou a oferecer R$3 mil em recompensa a quem informasse sobre o paradeiro do pecuarista.

Téo saiu de casa por volta das 13 horas do dia 27 em direção à Fazenda Camponesa, distante 18 km de Itapetinga, nas imediações da Balsa de Hermógenes, pilotando uma motocicleta Honda Bros, cor preta, de placa PLF – 6668.

As investigações apontaram para latrocínio (roubo seguido de morte), sem descartar outras hipóteses, como vingança e até mesmo crime passional, já que o corpo foi abandonado em outro município, a quilômetros do local onde Téo teria sido abordado. Até então a polícia não havia informado sobre o andamento das investigações.

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